O brasileiro precisa ser mais bairrista.
Barulho... É só o que vejo nessa narrativa toda da Danone, Carrefour, Tereos, enfim da França sobre a compra de produtos do agro brasileiro. Afinal, toda a exportação brasileira para o mercado francês não representa nem 1% no total exportado por nós.
Sobre isso, quero ponderar.
Para começar, vejamos a representatividade aproximada dos compradores de nossas exportações. Em primeiro lugar, China com aproximadamente US$ 88 bilhões (31%), em segundo Estados Unidos, com aproximadamente US$ 31 bilhões (11%), em terceiro Argentina, com aproximadamente US$ 12 bilhões (4%), em quarto lugar os Países Baixos (Holanda), com US$ 9 bilhões (3%), em quinto Chile, com aproximadamente US$ 7 bilhões (3%), sexto Singapura, com aproximadamente US$ 6 bilhões (2%), sétimo México, como aproximadamente US$ 6 bilhões (2%), oitavo Coreia do Sul, com aproximadamente US$ 6 bilhões (2%), Japão em nono, com aproximadamente US$ 6 bilhões (2%), em décimo lugar a Espanha, com aproximadamente US$ 5 bilhões (2%), e por aí vai.
Cadê os barulhentos franceses para nos preocuparmos com seu boicote???
Isso mostra que a questão é mais de narrativa, influência, interferência, pressão, do que o discurso globalista, naturalista, defensor do planeta....
Sendo assim, quero chamar a atenção aqui para um comportamento que os brasileiros não costumam ter, que é o comportamento bairrista sobre o que é seu. E o Brasil tem muito o que se orgulhar, defender, se valorizar, não baixar a cabeça para certos comportamentos estrangeiros. Vemos o bairrismo mais presente no sul do país, onde italianos e alemães são mais fechados sobre seus valores, tradições, produções, priorizando o que é seu em detrimento do que “vem de fora”. O resto do país tem que aprender e praticar isso em relação ao resto do mundo.
Primeiramente, o Brasil é imensamente favorecido pela sua geografia. Com uma extensão territorial de mais de 8,5 milhões de quilômetros quadrados, o país é o quinto maior do mundo. A vasta área abriga uma biodiversidade incomparável, com a maior floresta tropical do planeta, a Amazônia, crucial para o equilíbrio ambiental regional e também global. A riqueza de seus biomas — como o Cerrado, a Caatinga, o Pantanal e a Mata Atlântica — faz do Brasil um paraíso para os estudiosos da biodiversidade e um potencial para o desenvolvimento de tecnologias sustentáveis.
Essa abundância de recursos naturais também representa uma vantagem significativa para a economia brasileira. O país é um dos maiores produtores e exportadores de commodities, como soja, café, carne bovina e frango, minério de ferro e petróleo. O Brasil tem se consolidado como uma das principais economias emergentes do mundo, sendo um player importante no mercado global, e sua posição privilegiada favorece a atração de investimentos estrangeiros, além de garantir que a nação esteja inserida nas principais cadeias de produção e fornecimento de recursos naturais.
O agronegócio brasileiro é um dos pilares da economia do país. O Brasil é um dos maiores produtores agrícolas do mundo, sendo responsável por uma parcela significativa da alimentação mundial. A produção de grãos, como soja e milho, além da pecuária e da produção de café, coloca o Brasil em uma posição de destaque no mercado internacional. A modernização do setor, com tecnologias avançadas de cultivo, irrigação e logística, tem permitido que o país mantenha uma alta competitividade no mercado global.
Em termos energéticos, o Brasil é um exemplo notável de sucesso em sustentabilidade. O país tem uma das matrizes energéticas mais limpas do mundo, com grande parte de sua eletricidade proveniente de fontes renováveis, especialmente hidrelétricas e, mais recentemente, energias eólicas e solares. Além disso, o país é um dos maiores produtores de etanol, tendo iniciado a produção do biocombustível nas décadas de 1970, com um programa pioneiro de "Proálcool" (Programa de Álcool). Esse compromisso com a sustentabilidade tem se refletido nas políticas públicas voltadas para a preservação ambiental, como o Código Florestal e a promoção do turismo ecológico, ao mesmo tempo em que a expansão da energia renovável é vista como uma vantagem estratégica para reduzir a dependência de fontes não-renováveis e aumentar a segurança energética.
Cadê a falta de compromisso com as questões ambientais, franceses???
Narrativas...
Aqui nós compramos 100% de uma área, usamos 90, 80% dela, temos que preservar o restante e ainda pagamos impostos pelo total, preservando... Onde mais no mundo se exige isso??? Para mim sempre foi uma política européia e estadunidense de manutenção de uma cultura colonial, tupiniquim, por aqui. Mas isso é assunto para outro texto.
Então, o brasileiro precisa ser mais bairrista. O bairrismo, muitas vezes visto sob uma ótica de apego exagerado à identidade local, tem raízes mais profundas e complexas que podem, quando bem compreendidas e aplicadas, trazer imensos benefícios para um povo. Ao invés de ser um simples conceito de exclusividade ou rejeição ao que vem de fora, o bairrismo é uma poderosa postura cultural, uma ferramenta para fortalecer a autoestima de uma nação, valorizar seus produtos, garantir sua autonomia em um mundo globalizado e cada vez mais competitivo.
Imagine, por um momento, um país que decide se dar o valor que merece. Ele começa a acreditar no seu próprio potencial, em sua cultura, em seus produtos e, principalmente, no poder de suas pessoas. Ao adotar essa postura de valorização interna, o país começa a se reorganizar. Ele deixa de olhar para o exterior com uma sensação de inferioridade, como se tudo que viesse de fora fosse automaticamente melhor ou mais sofisticado. Em vez disso, começa a investir em sua própria história, em seus produtos, em suas tradições e em sua indústria.
A partir daí, o bairrismo se torna um movimento de valorização local que, em essência, leva a uma maior confiança no que é produzido internamente. Esse movimento pode ser observado na forma como a população passa a consumir mais o que é feito dentro do país, com um renovado orgulho nacional. Temos tamanha má distribuição de renda e de alimentos por aqui. Podemos ajustar a parte de alimentação e consumir o que produzimos, na proporção de ínfimos franceses. Por que não?
E não se trata apenas de um gesto de consumo; é uma atitude política e econômica de resistência e autoestima, de não depender tanto de bens e serviços que vêm de fora.
Em um cenário como esse, os benefícios do bairrismo não param por aí. Ao proteger seus mercados internos e promover políticas que incentivem o consumo de produtos locais, um país também começa a reduzir a vulnerabilidade frente a uma concorrência internacional muitas vezes agressiva. Empresas de países com menores custos de produção ou com subsídios governamentais podem inundar o mercado local com produtos mais baratos, dificultando a vida dos produtores nacionais. O bairrismo age, então, como uma espécie de escudo que protege as indústrias locais contra esse tipo de competição desleal.
E, claro, essa autossuficiência e confiança interna têm reflexos além da economia. E, claro, como qualquer movimento, o bairrismo precisa ser equilibrado. Nenhum país pode se fechar completamente para o exterior, especialmente em um mundo cada vez mais interconectado. O grande segredo é saber como harmonizar a valorização interna com a abertura ao mundo. O ideal é que, ao proteger suas indústrias e dar valor ao que é nacional, o país consiga, ao mesmo tempo, aprender com as melhores práticas globais, desenvolver parcerias internacionais e exportar sua própria inovação e cultura.
Vamos lá, brasileiros. Esse é um bom caminho!! Quando um país se valoriza, seu valor só cresce, não apenas fortalece sua economia, mas também aumenta a confiança de sua população, promove sua identidade cultural e, ao proteger seus produtos, assegura sua autonomia frente à concorrência.
Então, arrêtez de vous embêter, français.
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Agradeço educação e sinceridade.