Sucessor inteligente aprende com os mais experientes.
Suceder em empresa familiar não é uma tarefa fácil. A personalidade de cada pessoa envolvida, vontade própria e diversa, talento, formação, enfim, são muitas e muitas questões que envolvem o processo. Fato! São muitas dores latentes ou dormentes, de todos os lados. Em minha posição, há que se considerar todas elas.
Mas tenho certeza de que no Brasil isso fica ainda mais difícil. Os donos, patriarcas das empresas, tem experiência, conheceram as dores do começo, do meio e estão vivendo-as no final de sua era. Eles tem muito o que ensinar.
Sobre isso eu quero ponderar...
Sucessão e Brasil, que mistura complexa. Não bastasse toda a complexidade interna das famílias, há que se considerar fortemente as complexidades de um país cuja insegurança jurídica, improdutividade, gambiarra fiscal/tributária e trabalhista, câmbio alucinante, juros extratosféricos, custos, cultura...
Ufa... E tudo isso sem falar no capital de giro que, na maioria das vezes é captado extra-muro das empresas em instituições bancárias (via de regra), item esse que é primordial para alavancagem, manutenção e prosperidade do negócio. E aqui, em terras tupiniquins, está aí o custo mais alto que qualquer outro. Caso o captador não tenha experiência ou entenda muito bem sobre o assunto, sugiro procurar os universitários - digo, os experientes da mesa de reuniões - seja na empresa ou na sala de jantar.
Se você que está lendo é um sucessor de um pai ou mãe, cuja idade esteja entre os 60, 70 anos de idade, atenção: valorize muito os conhecimentos e as experiências de quem tem décadas de Brasil. A bagagem carregada por eles pode, no mínimo, evitar um desastre definitivo no negócio em que você está, ou poderá ser inserido.
Estamos percebendo no dia-a-dia níveis altíssimos de taxa básica de juros, custo-Brasil cada vez mais caro, inadimplência cada vez mais impune, Códigos e a própria Constituição Federal sendo substituídos por Súmulas/Jurisprudências cada vez mais políticas e menos jurídicas, e para piorar, recordes atrás de recordes de empresas com pedidos de Recuperação Judicial (antiga Concordata) ou mesmo de falência.
A mais ou menos 4 anos atrás, em plena pandemia do covid-19, muitos sucessores faziam pressão sobre seus pais para captação de empréstimos juntos aos Bancos, uma época em que o Brasil era um dos primeiros países do mundo a subir e a baixar a SELIC para conter a inflação, chegando a "míseros" 2%, 3% ao ano. Muitos patriarcas captaram os empréstimos. Mas outros tantos por sua vez rejeitaram a idéia, foram contra o endividamento daquele momento, e hoje provaram que estavam corretos em suas decisões. Ou seja, sua experiência mostrou seu valor na tomada de decisão. Muitos sucessores hoje respiram aliviados pela firmeza com que esses pais resistiram à pressão – e os negócios continuam.
Nunca deixe de aproveitar a experiência dos mais velhos. Em qualquer área ou momento econômico do país, aprenda com seus pais sobre custos e riscos. Não desperdice essa oportunidade gratuita de aprendizado, o qual não é ensinado em nenhuma faculdade do mundo. As décadas vividas por eles nesse gigante que desde seu descobrimento está em turbulência política, jurídica, social e cultural, reforça essa lição a ser aprendida por todos os envolvidos no processo de sucessão.
Mais uma vez, finalizando 2024 e entrando em 2025 estamos vivendo uma época de juros altos, inflação desenfreada, inadimplência perigosa, política só do toma-la-dá-cá, falta de planejamento misturado com ideologias e narrativas. Atenção sucessores: ouçam os mais experientes!!!
É por aí...
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Agradeço educação e sinceridade.