Definitivamente, o Brasil conhecido não tem jeito.
O ano de 2024 se encerra hoje e meu sentimento após refletir sobre o ano e a história do país, é que o Brasil "não tem jeito". O Brasil, do jeito que é, não tem jeito. Não há esperança de que dê certo, do jeito em que as coisas estão. Eu gostaria que o Brasil fosse diferente. Gostaria que o país aproveitasse melhor seu potencial, suas reservas minerais, cobrasse caro pelo nióbio, grafeno, ferro, e tantos outros minerais abundantes em nosso subsolo. Que explorasse mais eficientemente nosso petróleo, vento, luz solar. Energia. Que houvesse menos corrupção, que o ensino fosse de melhor qualidade. Eu gostaria que as famílias aqui valorizassem mais os princípios que norteiam bem a vida das pessoas - tão conhecidos já pela história.
Sobre isso quero ponderar.
É claro que o Brasil possui virtudes. Seu povo em sua imensa maioria, apesar de ser tão cru, tão ignorante, possui virtudes. Mas os pontos que pretendo demonstrar adiante, provam que não tem jeito. Não se trata de pessimismo de minha parte, negativismo, de só olhar o que não dá certo, etc. Analiso várias áreas dessa nossa terra tupiniquim, e percebo que aspectos que não poderiam ser tão determinantes para atrapalhar o desenvolvimento do país, atrapalham. Para piorar, aspectos que deveriam ajudar, não ajudam.
Desde a colonização desse pedaço gigante de terra do mundo que é o Brasil, tudo aqui foi e é feito para não dar certo. Portugueses, noroegueses, holandeses, espanhois, franceses, estadunidenses, entre outros, nenhum deles quis colonizar nossa terra para crescimento, desenvolvimento. Todos só quiseram e querem até hoje explorar, tirar, tomar, levar de graça e vender caro até mesmo para nós mesmos...
Para começar, podemos citar o tamanho do país e a abrangência de área amazônica nele. Que país no mundo sem grande união, determinação financeira, econômica, jurídica e cultural, conseguiu êxito nesse planeta? Em nossa proporção territorial, só há os EUA, Rússia, China e Austrália. Só aí já começamos a concluir. O custo e a complexidade são grandes demais. E aqui, diferentemente desses outros grandes países, não temos somente uma identidade. Somos uma mistura. Misturamos tudo: culturas, culinárias, planos econômicos, leis, educação do povo. A imigração foi muito forte durante a 2ª guerra mundial e não parou desde então.
Temos um IDH pífio, um PIB per capta baixo, moeda fraca, histórico tão marcante de corrupção em todas as esferas públicas e por aí vai. Há um expansionismo fiscal agressivo, um governo marcado por “só” pensar em arrecadar e não em aumentar a eficiência de seu trabalho, dos investimentos em nossa infra-estrutura. São pelo menos 30 anos registrados dessa forma. Como crescer? E não adianta querem culpar terceiros por isso. Sua gestão é incompetente, seu viés governamental é tresloucado por suas ideologias. Nossa população tem o salário cada vez mais achatado, a moeda cada vez mais desvalorizada pela inflação.
Saímos de uma pandemia (2020 a 2022) com uma capacidade considerável de decolar economicamente, mas com a mudança radical de prioridades na governança a nível federal, após as eleições de 2022, simplesmente estamos em nosso “Titanic” afundando, sem perspectivas de recuperação a curto e médio prazo. Mas não é culpa só do presidente atual – falando de nível federal. O povo tem o governo que merece, já dizia Conde Joseph-Marie de Maistre. O representante é o reflexo da maioria da população que votou nele.
O atual presidente é de esquerda, se dizendo “pai dos pobres” e deve ser mesmo. Mas é aquele tipo de pai que é alcólatra, bate na esposa todo dia, e ainda posa de bonzinho pra família (na imprensa). Seu partido político se elegeu em 2003, 2006, 2010, 2014, quase se elegeu em 2018, voltou em 2022. Em todos seus mandatos o país enfrentou corrupção nos cargos públicos e crise econômica. Agora, já tem dois anos de governo e já conta com mais de um trilhão de Reais de déficit (dívida). Continuamos pobres, um país violento com uma polícia cada vez menos autorizada a atuar contra o crime e, para piorar, sem liberdade de expressão.
Aqui a legislação não privilegia os honestos. É até possível afirmar que “aqui o crime compensa”. Aqui o bandido sai primeiro da audiência de custódia que o policial que o prendeu. Aqui o povo não respeita fila, quer dar um jeitinho pra tudo e não quer usar o jeito certo para fazer as coisas. Em Terra de Santa Cruz, um caminhão acidentado é saqueado, mas o motorista não é socorrido. Aqui o funk é a música do povão. Há em seu povo, sujeitos que vão a uma loja da Zara para tentar achar etiqueta em Euro, só para receber benefício sobre o prejuízo alheio. O foco não é produzir, é ganhar.
Chegamos a 2025 com uma fotografia deprimente. Nossa população do país é composta de 56 milhões de pessoas que vivem de auxílio (eternas bolsas família), 12 milhões de aposentados, 13 milhões de funcionários públicos, somam 81 milhões de pessoas. Esses vivem do Estado. Temos atualmente, segundo o IBGE 203 milhões de pessoas. Destas, 100 milhões de pessoas não economicamente ativos (crianças e idosos). Então, arredondando, sobram 20 milhões de pessoas para sustentar todos os outros 180 milhões de pessoas. Essa conta não fecha. Como pode 10% sustentar os outros 90%?
Quem conhece o "sonho americano", sabe que o Brasil não vai virar um EUA nunca! Aqui é historicamente o país do coitadinho. É o país do direito sem deveres. É o país da impunidade. Aqui um brasileiro é condenado na Itália e preso no Brasil. Mas um ex-presidente é condenado em Curitiba e não pode ser preso em São Paulo ou em Brasília. O mesmo órgão judiciário que o condena, o descondena (não o inocenta) porque é interessante politicamente. Política, política, política... A justiça não importa.
É leitor, não tem jeito...
Temos políticos, representantes, que não querem que o povo se desenvolva, pois se o povo se desenvolver, aprender, estudar, crescer, não votará nesses políticos. O representante maior desses políticos mesmo disse isso abertamente. Então, por acaso o político que está governando o país vai parar de manter na miséria o povo, se é o povo na miséria que garante que ele continue no poder? Temos um governo que precisa de pautas para ele se manter no poder. Uma delas é de que o voto diz o que o povo quer. Como, se preso vota, pobre/ignorante vota, beneficiário de auxílio vota?...
12 anos atrás eu ministrava aula de graduação a alunos do curso de Ciências Contáveis na PUC-GO. Eram idos de 2011, 2012, início do BRICS. Eu dizia que o Brasil tinha 20 anos pra se tornar um país rico, desenvolvido. Tínhamos condições para isso, mas tínhamos que agir rápido. Por que? A conta era simples. Nossa população ativa estava em seu ápice de idade e produtividade, aos 40 anos. Com mais 20 anos, essa população chegaria aos 60, final de carreira e produtividade. Nesse mesmo tempo, os demais países representativamente em desenvolvimento do próprio BRICS, como China, Rússia e Índia estavam investindo pesado em tecnologia, infra-estrutura e desenvolvendo seu comércio a passos largos. Se não nos desenvolvéssemos ficaríamos pra trás, fadados a sermos meros produtores primários, o país do agro somente, que vende matéria-prima barata e compra produto fabricado caro.
Está aí. Aconteceu. O cavalo arreado passou e desperdiçamos a chance. Somando isso a tudo que foi dito anteriormente, não tem jeito.
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Agradeço educação e sinceridade.